domingo, 24 de outubro de 2010
" Olha, eu sei que é péssimo quando as pessoas dizem para nós que entendem o que nós sentimos, mas eu sei exatamente o que é isso. Você tá decepcionado, chateado, triste ou sentindo qualquer outra coisa que possa ser pior que isso. Eu sei que as coisas não estão parecendo justas, mas eu estou aqui te pedindo para não desistir. As pessoas erram com você e as vezes elas precisam errar drasticamente para começarem a acertar. Eu errei com você. De uma forma drástica. Assim como tantas vocês você errou comigo, mas quer saber? Eu estou aqui. E eu posso não ser nada além de mortal, mas o que eu puder fazer para tornar o meu mundo perfeito para você, eu vou fazer. Eu não preciso de outras sensações, eu não preciso de outras pessoas...eu só preciso de você. Por favor, fique. Fique e me deixe te mostrar que nunca é tarde demais e que de um erro, eu posso fazer um acerto pro resto da vida. Me perdoe. Eu só preciso de um "sim".
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Por muito tempo eu pensei que precisava resolver as coisas logo. Não podia deixá-las assim por muito tempo, sem um fim ou uma continuação. Eu não queria deixar nada entrelinhas, nada de forma não clara....acabei me precipitando por causa disso. Acabei agimdo de uma forma que eu não deveria ter agido, forçando a barra com uma ou outra coisa e que no final, não ia adiantar de nada.
Hoje não me sinto mais assim. Não estou em paz, nem tranquila, mas resolvo esperar. Tudo acontece por uma razão. Aquilo que é pra ser, vai ser. E o que não for...bem, isso não vai ser. Talvez, assim tão perto, eu pense que seja algo ruim. Mas a longo prazo a gente sempre nota que era pelo nosso bem...independente disso um dia fazer você sofrer ou não. Você não precisa forçar nada, porque nada forçado é duradouro. Nada que você apresse, vai ser bom o suficiente. Como era que me diziam mesmo? AH...a pressa é inimiga da perfeição. E eu quero algo perfeito. Seja como for.
Farei o básico. Aquelas coisas que a gente faz mesmo sem notar, aqueles esforços que muitas vezes é algo rotineiro. Não quero me apressar. Sei do que posso e não posso fazer agora. Estou em um momento que só basta uma pessoa e se não for essa, então serei só eu. Não preciso de mais nada, só da consciência de que não posso forçar as coisas a serem do meu jeito. E isso já está acontecendo.
Sinto um amor enorme dentro de mim. Sinto vontade de trazer de volta certas pessoas para mostrar o quanto elas me fizeram bem e que, embora não pareça, eu não guardo mágoas. Especialmente de uma. Essa eu quero ver feliz...e se a felicidade desse alguém for pra ser longe de mim, então, assim será.
Não farei nada. Apenas esperarei...como já dizia Bob Marley "O que é realmente nosso, nunca se vai pra sempre."
Hoje não me sinto mais assim. Não estou em paz, nem tranquila, mas resolvo esperar. Tudo acontece por uma razão. Aquilo que é pra ser, vai ser. E o que não for...bem, isso não vai ser. Talvez, assim tão perto, eu pense que seja algo ruim. Mas a longo prazo a gente sempre nota que era pelo nosso bem...independente disso um dia fazer você sofrer ou não. Você não precisa forçar nada, porque nada forçado é duradouro. Nada que você apresse, vai ser bom o suficiente. Como era que me diziam mesmo? AH...a pressa é inimiga da perfeição. E eu quero algo perfeito. Seja como for.
Farei o básico. Aquelas coisas que a gente faz mesmo sem notar, aqueles esforços que muitas vezes é algo rotineiro. Não quero me apressar. Sei do que posso e não posso fazer agora. Estou em um momento que só basta uma pessoa e se não for essa, então serei só eu. Não preciso de mais nada, só da consciência de que não posso forçar as coisas a serem do meu jeito. E isso já está acontecendo.
Sinto um amor enorme dentro de mim. Sinto vontade de trazer de volta certas pessoas para mostrar o quanto elas me fizeram bem e que, embora não pareça, eu não guardo mágoas. Especialmente de uma. Essa eu quero ver feliz...e se a felicidade desse alguém for pra ser longe de mim, então, assim será.
Não farei nada. Apenas esperarei...como já dizia Bob Marley "O que é realmente nosso, nunca se vai pra sempre."
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
The end has no end.
O telefone tocou. Tinha pensado e treinando durante toda a noite para aquele momento. Sabia exatamente como agir. "Oi, tudo, tchau" era o que precisava dizer. Não iria demonstrar nenhuma emoção, nenhum sentimento, absolutamente nada. Ia ser seca, como tantas vezes ele foi com ela. Ia mostrar que ela se importava, já que ele não fazia isso e o melhor modo de fazer com que ele percebesse, era o tratando com frieza. Tirou o telefone do gancho e com toda indiferença que podia ter, disse:
- Alô?
A voz dele soou no outro lado. Diferente das outras ligações que andavam trocando em algumas semanas, ele parecia calmo e sereno. Parecia disposto a conversar e tratá-la bem, coisa que parecia impossível caso fosse considerado as últimas palavras proferidas por ele. Perguntou se ela estava chateada, ela disse que sim e ele respondeu que ela tinha razão. Alguma coisa pareceu surgir dentro dela. Uma esperança, de que por acaso, ele a pedisse desculpas e os dois ficassem bem. Mas, não foi isso que aconteceu. Ele pediu para vê-la. A pegou de surpresa. Nos seus ensaios, pensou que ele fosse pedir ou dizer qualquer coisa, ruins ou boas, mas não que fosse pedir para vê-la. Pensou em negar, mas acabou cedendo. Tinha saudades dele, queria vê-lo e, como já era de costume, sua frieza e promessas não falavam mais alto do que qualquer coisa que sentisse por ele. Se despediram, ela desligou e olhou ao seu redor. Talvez a segunda feira fosse decisiva.
Quando você deseja muito uma coisa, parece que tudo se põe contra. As horas, as pessoas, os lugares, tudo. As aulas pareciam se arrastar e o relógio havia parado. Lutava contra sua ansiedade e tentava ver o encontro com a maior naturalidade possível. Em vão. Sabia que aquilo a desconcentrava e que a qualquer hora poderia explodir por não aguentar mais os segundos que insistiam em não passar. As pessoas haviam se tornado iguais e nenhuma, por mais que ela disfarçasse isso rindo das piadas dos amigos, conseguia prender sua atenção e distraí-la. Era sempre isso que acontecia. Ele a desestabilizava.
Finalmente, depois de sentir arrepios e suar frio durante 7 horas, ela o encontrou. De longe pode vê-lo em cima da escada da Igreja que havia em frente a saída. Conhecia cada coisa dele. A mochila quebrada nos bolsos laterais, a qual ele usava nas costas e sempre segurava pelas alças, na frente, a blusa da dharma que ele tantas vezes usou, a calça jeans que ela gostava, embora não fosse sua preferida e o tênis que ele sempre usava. Tentou parecer neutra. Não demonstrar nenhuma emoção. Mas assim que ouviu a voz dele e olhou naqueles olhos que iluminados pelo sol ficavam castanhos, ela desistiu. Não ia lutar contra seus instintos. Não agora. Ele estendeu a mão e deu a ela um papel.
Caminharam até os banquinhos da praça, sentaram em um quebrado e começaram a conversar. Ele, sempre feliz por coisas pequenas, lhe mostrou sua caneta nova e ela apenas riu. Embora ele tivesse pedido para ela ler o papel apenas quando chegasse em casa, ela o desdobrou e começou a lê-lo ali mesmo, em meio ao barulho dos carros e na frente da igreja, encostada no banquinho quebrado. Na carta havia as palavras que ela mais ansiava ouvir. Havia se conformado na noite anterior que as coisas não iriam se resolver agora. Era preciso tempo para que cada coisa entrasse no seu lugar e de lá não saísse mais. A pressão é inimiga da perfeição, já diziam. Mas, não havia desistido de ler o que tinha ali. Aquelas palavras, aquelas declarações...quando deu conta de si, já molhava o papel fino com suas lágrimas, fazendo com que a tinta da caneta borrasse um pouco.
Quando olhou pra ele, viu seu sorriso. Era o mesmo sorriso de sempre. Não sabia ao certo se havia sido engano seu, mas no dia em que se conheceram, antes dele fazer com que ela perdesse o fôlego, aquele mesmo sorriso foi gravado pelos seus olhos. Foi breve, é verdade, mas perfeito o bastante para ficar guardado. Nunca havia dito isso a ele, por dois motivos: Tinha vergonha de admitir que reparava tanto nele ou tinha medo de ser apenas um engano, já que ela tinha como bem mais valioso o sorriso dele. Não disse nada do que queria dizer. Se arrependeu, mas compreendeu a si mesma. Sabia o seu limite. Sabia que não conseguiria dizer pra ele, olhando nos olhos dele, sentindo a pele dele ali tão perto, tudo que queria. Iria guaguejar, iria esquecer. Sendo assim, prometeu a si mesma que escreveria um dia sobre tudo que sentiu vontade de dizer naquele momento.
Não se sabe ao certo de onde ela tirava tanta vontade de ficar perto dele. As pessoas, aquelas que tentam compreender o que não pode ser compreendido, a censuravam. Ela tinha de se amar mais, se respeitar, ignorá-lo, desistir, ele não a amava, ele a fazia sofrer...todos davam milhares de explicações para que ela se afastasse e controlasse o que sentia. Ela ignorava. O que sentia era amor. E o amor não ignora, o amor não desiste, o amor sequer consegue fazer a pessoa amada sofrer de propósito. Sim, o amor machuca, o amor as vezes é o causador de tantas lágrimas, mas não é por querer. Talvez ele seja tão grande e puro, que só a felicidade é pouco. Não sabia ao certo se o que ele sentia por ela era recíproco, mas não importava. O amor que ela sentia por ele era tão grande que já bastava amar sozinha. Queria ter dito, enquanto segurava as mãos dele ou fazia carinho no seu cabelo, que ela o admirava. Ela sonhava com ele de todas as formas possíveis. Via nele não só um amor, mas um amigo. Um carinho, uma saída. Ele a compreendia até quando a censurava. Ele a fazia feliz, até quando as lágrimas caíam. Ela o desejava de todas as formas. Das mais puras até aquelas que são condenadas. De todos os jeitos. Tinha nele uma esperança de um futuro melhor. Um futuro que não fosse perfeito, mas agradável. Queria partilhar com ele todos seus medos, queria que ele a acolhesse quando tivesse escuro ou dissesse pra ela que tudo ia ficar bem quando as coisas saíssem do planejado. Queria que ele estivesse lá, esperando por ela, quando ela recebesse um não, um sim, quando tivesse um sonho destruído ou atingido. Queria poder abraçá-lo em todas as datas comemorativas e nas não comemorativas também. Queria conversar com ele sobre tudo que ela não entendia. Queria partilhar com ele suas filosofias frustradas de vida. Queria mudar com ele não o mundo todo, mas o mundo deles. Era o que queria. Era só isso.
Ele era como uma parte dela. Uma parte que lhe foi tirada, colocada no mundo e que por uma ironia, foi encontrada. Eles sempre estiveram tão perto e demoraram tanto para se encontrar. Ela precisou chorar por outras pessoas, precisou se divertir com outras, rir das piadas de outras, para poder finalmente conhecê-lo e vê que nada de antes fazia sentido. Ela odiava quando alguém o censurava. Sabia que ele não era perfeito, mas cada defeito dele se tornava qualidade, até mesmo quando a machucava. A gente precisa ser nosso próprio advogado, mas ela não fazia isso. O defendia e apenas ele. Independente do que achariam, ela sempre o colocava como certo e, talvez isso fosse errado, mas ela o conhecia. Sabia das suas intenções, das suas vontades e achava nelas uma justificativa para tudo.
Sabia que ia amá-lo pra sempre. Sabe que vai amá-lo pra sempre. Em uma das conversas, ele disse que poderiam aparecer outras pessoas. Talvez. Talvez uma ou outra pessoa passe um bom tempo na vida dele ou na vida dela. Talvez cada uma delas desenhe um pouco nas páginas da vida dos dois. Mas elas vão ser tão pequenas e insignificantes comparado ao que os dois escreveram, desenharam e construiram. Ela sabia que nenhuma outra pessoa poderia ser como ele. Não falava só de amor. Falava de tudo. Nenhuma outra pessoa poderia superar o amor que ele foi, o amigo que ele foi, até mesmo o inimigo que ele foi. Ninguém. Os outros eram apenas os outros quando comparados a ele, de qualquer forma. Ele a marcou. Não fisicamente, mas sentimentalmente. Não deixou marcas visíveis, não deixou cicratrizes expostas, não deixou fraturas, nada disso. Deixou um sentimento plantado dentro dela. Um sentimento que só ela poderia entender.
Em uma parte da carta, ele falou nos planos. Todos têm planos individuais, planos que só você pode saber ou concretizar. Mas todos os outros planos dela, ela dividiria com ele. Não havia planos "não individuais" com outras pessoas. Não haviam táticas, não haviam regras, não havia nada. Não havia sequer uma forma de sobrevivência com outro alguém. Cada coisa que ela construísse, seria partilhado com ele. Não importava se fosse dá certo ou não. Não importava se fosse bobo ou não. Ele saberia de tudo. Ela o contaria cada coisa e dividiria com ele tudo que a deixasse insegura. Ela confiava nele.
Na carta, logo nas linhas finais, havia um prelúdio. Não era um adeus. Ele não sairia da vida dela. Apenas não estaria lá ativamente, deixando plantado uma saudade que poderia ser "morta" a qualquer momento, caso apertasse demais os pulmões ou o coração. Era como um hiato. Uma temporada em que os dois passariam por mudanças, cresceriam, iriam amadurecer e saber o que procuravam. Iriam se moldar um para o outro e tentar outra vez. Ela pensava assim. Não ia deixar de amá-lo, ia continuar persistindo dia após dia na incansável jornaada de se adequar ao que fosse necessário. Aquilo não era o fim. Era só mais uma chance disfarçada. E ela não ia deixá-la escapar.
- Alô?
A voz dele soou no outro lado. Diferente das outras ligações que andavam trocando em algumas semanas, ele parecia calmo e sereno. Parecia disposto a conversar e tratá-la bem, coisa que parecia impossível caso fosse considerado as últimas palavras proferidas por ele. Perguntou se ela estava chateada, ela disse que sim e ele respondeu que ela tinha razão. Alguma coisa pareceu surgir dentro dela. Uma esperança, de que por acaso, ele a pedisse desculpas e os dois ficassem bem. Mas, não foi isso que aconteceu. Ele pediu para vê-la. A pegou de surpresa. Nos seus ensaios, pensou que ele fosse pedir ou dizer qualquer coisa, ruins ou boas, mas não que fosse pedir para vê-la. Pensou em negar, mas acabou cedendo. Tinha saudades dele, queria vê-lo e, como já era de costume, sua frieza e promessas não falavam mais alto do que qualquer coisa que sentisse por ele. Se despediram, ela desligou e olhou ao seu redor. Talvez a segunda feira fosse decisiva.
Quando você deseja muito uma coisa, parece que tudo se põe contra. As horas, as pessoas, os lugares, tudo. As aulas pareciam se arrastar e o relógio havia parado. Lutava contra sua ansiedade e tentava ver o encontro com a maior naturalidade possível. Em vão. Sabia que aquilo a desconcentrava e que a qualquer hora poderia explodir por não aguentar mais os segundos que insistiam em não passar. As pessoas haviam se tornado iguais e nenhuma, por mais que ela disfarçasse isso rindo das piadas dos amigos, conseguia prender sua atenção e distraí-la. Era sempre isso que acontecia. Ele a desestabilizava.
Finalmente, depois de sentir arrepios e suar frio durante 7 horas, ela o encontrou. De longe pode vê-lo em cima da escada da Igreja que havia em frente a saída. Conhecia cada coisa dele. A mochila quebrada nos bolsos laterais, a qual ele usava nas costas e sempre segurava pelas alças, na frente, a blusa da dharma que ele tantas vezes usou, a calça jeans que ela gostava, embora não fosse sua preferida e o tênis que ele sempre usava. Tentou parecer neutra. Não demonstrar nenhuma emoção. Mas assim que ouviu a voz dele e olhou naqueles olhos que iluminados pelo sol ficavam castanhos, ela desistiu. Não ia lutar contra seus instintos. Não agora. Ele estendeu a mão e deu a ela um papel.
Caminharam até os banquinhos da praça, sentaram em um quebrado e começaram a conversar. Ele, sempre feliz por coisas pequenas, lhe mostrou sua caneta nova e ela apenas riu. Embora ele tivesse pedido para ela ler o papel apenas quando chegasse em casa, ela o desdobrou e começou a lê-lo ali mesmo, em meio ao barulho dos carros e na frente da igreja, encostada no banquinho quebrado. Na carta havia as palavras que ela mais ansiava ouvir. Havia se conformado na noite anterior que as coisas não iriam se resolver agora. Era preciso tempo para que cada coisa entrasse no seu lugar e de lá não saísse mais. A pressão é inimiga da perfeição, já diziam. Mas, não havia desistido de ler o que tinha ali. Aquelas palavras, aquelas declarações...quando deu conta de si, já molhava o papel fino com suas lágrimas, fazendo com que a tinta da caneta borrasse um pouco.
Quando olhou pra ele, viu seu sorriso. Era o mesmo sorriso de sempre. Não sabia ao certo se havia sido engano seu, mas no dia em que se conheceram, antes dele fazer com que ela perdesse o fôlego, aquele mesmo sorriso foi gravado pelos seus olhos. Foi breve, é verdade, mas perfeito o bastante para ficar guardado. Nunca havia dito isso a ele, por dois motivos: Tinha vergonha de admitir que reparava tanto nele ou tinha medo de ser apenas um engano, já que ela tinha como bem mais valioso o sorriso dele. Não disse nada do que queria dizer. Se arrependeu, mas compreendeu a si mesma. Sabia o seu limite. Sabia que não conseguiria dizer pra ele, olhando nos olhos dele, sentindo a pele dele ali tão perto, tudo que queria. Iria guaguejar, iria esquecer. Sendo assim, prometeu a si mesma que escreveria um dia sobre tudo que sentiu vontade de dizer naquele momento.
Não se sabe ao certo de onde ela tirava tanta vontade de ficar perto dele. As pessoas, aquelas que tentam compreender o que não pode ser compreendido, a censuravam. Ela tinha de se amar mais, se respeitar, ignorá-lo, desistir, ele não a amava, ele a fazia sofrer...todos davam milhares de explicações para que ela se afastasse e controlasse o que sentia. Ela ignorava. O que sentia era amor. E o amor não ignora, o amor não desiste, o amor sequer consegue fazer a pessoa amada sofrer de propósito. Sim, o amor machuca, o amor as vezes é o causador de tantas lágrimas, mas não é por querer. Talvez ele seja tão grande e puro, que só a felicidade é pouco. Não sabia ao certo se o que ele sentia por ela era recíproco, mas não importava. O amor que ela sentia por ele era tão grande que já bastava amar sozinha. Queria ter dito, enquanto segurava as mãos dele ou fazia carinho no seu cabelo, que ela o admirava. Ela sonhava com ele de todas as formas possíveis. Via nele não só um amor, mas um amigo. Um carinho, uma saída. Ele a compreendia até quando a censurava. Ele a fazia feliz, até quando as lágrimas caíam. Ela o desejava de todas as formas. Das mais puras até aquelas que são condenadas. De todos os jeitos. Tinha nele uma esperança de um futuro melhor. Um futuro que não fosse perfeito, mas agradável. Queria partilhar com ele todos seus medos, queria que ele a acolhesse quando tivesse escuro ou dissesse pra ela que tudo ia ficar bem quando as coisas saíssem do planejado. Queria que ele estivesse lá, esperando por ela, quando ela recebesse um não, um sim, quando tivesse um sonho destruído ou atingido. Queria poder abraçá-lo em todas as datas comemorativas e nas não comemorativas também. Queria conversar com ele sobre tudo que ela não entendia. Queria partilhar com ele suas filosofias frustradas de vida. Queria mudar com ele não o mundo todo, mas o mundo deles. Era o que queria. Era só isso.
Ele era como uma parte dela. Uma parte que lhe foi tirada, colocada no mundo e que por uma ironia, foi encontrada. Eles sempre estiveram tão perto e demoraram tanto para se encontrar. Ela precisou chorar por outras pessoas, precisou se divertir com outras, rir das piadas de outras, para poder finalmente conhecê-lo e vê que nada de antes fazia sentido. Ela odiava quando alguém o censurava. Sabia que ele não era perfeito, mas cada defeito dele se tornava qualidade, até mesmo quando a machucava. A gente precisa ser nosso próprio advogado, mas ela não fazia isso. O defendia e apenas ele. Independente do que achariam, ela sempre o colocava como certo e, talvez isso fosse errado, mas ela o conhecia. Sabia das suas intenções, das suas vontades e achava nelas uma justificativa para tudo.
Sabia que ia amá-lo pra sempre. Sabe que vai amá-lo pra sempre. Em uma das conversas, ele disse que poderiam aparecer outras pessoas. Talvez. Talvez uma ou outra pessoa passe um bom tempo na vida dele ou na vida dela. Talvez cada uma delas desenhe um pouco nas páginas da vida dos dois. Mas elas vão ser tão pequenas e insignificantes comparado ao que os dois escreveram, desenharam e construiram. Ela sabia que nenhuma outra pessoa poderia ser como ele. Não falava só de amor. Falava de tudo. Nenhuma outra pessoa poderia superar o amor que ele foi, o amigo que ele foi, até mesmo o inimigo que ele foi. Ninguém. Os outros eram apenas os outros quando comparados a ele, de qualquer forma. Ele a marcou. Não fisicamente, mas sentimentalmente. Não deixou marcas visíveis, não deixou cicratrizes expostas, não deixou fraturas, nada disso. Deixou um sentimento plantado dentro dela. Um sentimento que só ela poderia entender.
Em uma parte da carta, ele falou nos planos. Todos têm planos individuais, planos que só você pode saber ou concretizar. Mas todos os outros planos dela, ela dividiria com ele. Não havia planos "não individuais" com outras pessoas. Não haviam táticas, não haviam regras, não havia nada. Não havia sequer uma forma de sobrevivência com outro alguém. Cada coisa que ela construísse, seria partilhado com ele. Não importava se fosse dá certo ou não. Não importava se fosse bobo ou não. Ele saberia de tudo. Ela o contaria cada coisa e dividiria com ele tudo que a deixasse insegura. Ela confiava nele.
Na carta, logo nas linhas finais, havia um prelúdio. Não era um adeus. Ele não sairia da vida dela. Apenas não estaria lá ativamente, deixando plantado uma saudade que poderia ser "morta" a qualquer momento, caso apertasse demais os pulmões ou o coração. Era como um hiato. Uma temporada em que os dois passariam por mudanças, cresceriam, iriam amadurecer e saber o que procuravam. Iriam se moldar um para o outro e tentar outra vez. Ela pensava assim. Não ia deixar de amá-lo, ia continuar persistindo dia após dia na incansável jornaada de se adequar ao que fosse necessário. Aquilo não era o fim. Era só mais uma chance disfarçada. E ela não ia deixá-la escapar.
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